Este blogue é organizado pelo Clube de Escrita da Escola Básica 2,3 de Santana. Publica textos escritos por qualquer aluno desta escola. Podem ser poesias, histórias, reportagens, opiniões, etc.. Editará ainda textos de autores conhecidos escritos para crianças e jovens.

2006/02/21

Catarina Gaboleiro (5º F)


O Comboio das Vinte Horas

Numa pequena cidade chamada Towel, em Inglaterra, havia um pequeno rapaz chamado Peter, com dez anos de idade. Tinha um irmão mais velho, Mark, com dezasseis anos, e vivia com o seu pai, pois os seus pais estavam divorciados. O seu pai era casado com o trabalho (era maquinista de comboio) e a sua mãe trabalhava numa pequena empresa.
No dia dos seus anos, Peter resolveu pedir ao seu pai e à sua mãe para estarem unidos naquele dia. À noite, Mark resolveu contar uma história assustadora ao seu irmão. Peter, curioso e um pouco assustado, começou a ouvir atentamente:
- Há alguns anos atrás, houve um acidente de comboio aqui perto, na linha 18. O comboio, que levava poucas pessoas, ficou desfeito e todas essas pessoas morreram. O maquinista chamava-se Tom Turner e tinha-se esquecido de pedir a um senhor para puxar a alavanca que desviava a linha. Um pequeno esquecimento causou a morte dessas pessoas… Diz-se agora que, no dia 20 de Fevereiro às oito da noite, o comboio passa por lá para apanhar os passageiros que estão perto da linha 18. Quando são apanhados nunca mais são vistos.
Peter ficou assustado com a história, pois todos os dias ia brincar para a linha 18. Prometeu a si mesmo ter mais cuidado quando fosse para lá brincar.
Na estação onde o seu pai trabalhava, Peter tinha arranjado um amigo chamado Mr. John. Ele ensinava-lhe inúmeras histórias e outras coisas mais, mas tudo sobre comboios. Peter perguntou a Mr. John se conhecia a lenda do comboio das vinte horas. Ele respondeu que a estação onde o pai dele trabalhava era a estação de onde o comboio tinha partido. O rapaz afirmou que no dia 20 de Fevereiro estaria lá, às oito da noite, à espera do comboio para comprovar a história do irmão.
Era princípio de Fevereiro. Peter estava ansiosíssimo, não dormia, chegava tarde a casa e não comia quase nada. Só olhava para o comboio que o seu pai lhe tinha dado.
Alguns dias depois, Mark, preocupado com o seu irmão, foi ao quarto dele. Peter, quando o viu entrar pela porta adentro, mandou-o embora. Mark bateu-lhe e Peter começou a chamar-lhe nomes e a discutir com ele. Quando terminaram a discussão, Mark saiu do quarto triste e ainda mais preocupado. Peter foi para a cama e começou a chorar inconsoladamente.
Chegou o dia 20 de Fevereiro. Peter estava pronto para enfrentar a linha 18. Nesse mesmo dia, Mark e o seu pai iriam chegar mais tarde a casa – e ele ficaria com Mr. John.
À noite esperou, esperou, mas Mr. John não vinha. Peter começou a ficar assustado. Pegou no telefone e ligou para a estação – mas estava desligado. Colocou o auscultador no seu lugar e foi para o seu quarto. Qual não foi a sua surpresa quando viu que o seu comboio tinha descarrilado! Colocou-o outra vez na linha e aconteceu a mesma coisa. Pegou no comboio, observou-o atentamente. Ficou imóvel – quando viu a figura de Mr. John sentada no comboio. Afirmou:
- Mr. … J-ohn… Mr. John!
Largou o comboio, pegou no casaco e foi a correr para a linha 18. Nem se lembrou de entregar um bilhete, nem se apercebeu de que bastava puxar uma alavanca para o comboio mudar de rumo.
Quando chegou à estação, sentou-se e ficou por lá um pouco. Ouviu de súbito um barulho. Parecia um comboio, e o seu coração parecia que ia sair pela boca. De repente passou-lhe pela frente o lendário comboio das vinte horas. Ao mesmo tempo, desmaiou.
Passado pouco tempo, acordou dentro de um comboio com poucas pessoas. O maquinista veio falar-lhe:
- Olá rapaz, o meu nome é Tom Turner. Sê bem-vindo ao meu comboio.
- Tom Turner???
- Sim. Já tinhas ouvido falar de mim?
Ia responder quando viu Mr. John sentado num banco, inconsciente. Começou a falar mal do maquinista, que lhe respondeu:
- O quê? Escuta aqui, rapaz. Tu sabes com quem te estás a meter?
- Eu não tenho medo do senhor!
- Vais arrepender-te do que disseste! – disse o maquinista, tirando um relógio de bolso. Continuou:
- Bem, vamos esquecer isto. Vais responder-me a uma pergunta.
- Que… que pergunta?
- Tu gostas muito de comboios, não gostas?
- G-g-gosto, p-porquê?

Nesse instante, o seu pai e o seu irmão chegaram a caso. Chamaram pelo Peter, mas a casa parecia estar vazia. O pai afirmou então:
- Mark, vai ver se o Peter está no quarto. Se não estiver, telefonamos aos amigos dele.
- OK, pai!
Mark entrou no quarto, mas ele estava vazio. Ia preparar-se para ir ter com o pai, quando viu que o comboio estava descarrilado. Pegou nele e pareceu-lhe ver a imagem do seu irmão nele. Antes de se ir embora, reparou que havia uma pequena alavanca ao pé da linha. Foi contar ao pai:
- Pai, ele não está no quarto…
- Pois então telefonemos aos amigos dele…
- Espere, ele não está com nenhum deles!
- Então onde está ele?
- Venha comigo…

Enquanto isto, Peter tinha aceite o relógio. Era ele o novo maquinista do comboio. Foi aí que percebeu que Tom Turner lhe tinha preparado uma armadilha:
- Ah! Ah! E agora, Peter? Ficarás fechado aqui para sempre!!! És o novo maquinista e não podes abandonar o comboio!
- Isso é que vamos ver!
Peter pegou no relógio e atirou-o para o chão. O relógio tinha passado à história e Tom ficou furioso. Disse-lhe:
- Agora eu não posso ficar livre, seu rapaz incompetente! Mas não faz mal, vou ter uma eternidade para te massacrar, quando o comboio descarrilar mais uma vez!

- Mark, o que é que vamos aqui fazer?
- Pai, ajude-me a puxar esta alavanca!
Os dois puxaram com toda a força, mas a alavanca não cedia. Parecia estar encravada. Tentaram com toda a força e, quando a puxaram novamente, sentiram um vento fortíssimo. Quando olharam para trás, ficaram surpresos quando viram Peter e Mr. John sentados ao pé de uma casa em ruínas. Estavam um pouco tontos, mas de resto estava tudo bem. Voltaram para casa e continuaram a viver a sua vida normal.Quanto ao comboio, diz-se que seguiu o seu destino – e não passa agora de mais uma história de comboios. O seu maquinista leva consigo a maldição de andar até à eternidade sem descanso. Mas desta vez vai sem relógio e sem comboio…